Sou de Curitiba. Disso não se cura.
A cidade é fria, cinzenta, cheia de uma garoa fina que não molha — só insiste. Cresci nela sem perceber que ela crescia em mim.
Um dia parti. Todo curitibano parte uma vez, achando que a saudade cabe na mala. Não cabe. Morei sob outros céus, aprendi outras línguas, comi pão que não era o daqui. Bonito. Mas faltava a garoa.
Voltei. Sempre se volta. Porque primeiro amor não se esquece — apenas espera. E Curitiba espera bem: sentada num banco do Passeio Público, tomando café sem pressa.
Hoje programo de dia e caminho de noite. As araucárias seguem de braços abertos, teimosas como eu. A cidade me ensinou o essencial: ser discreto, ser exato, amar sem alarde.
Fria por fora, quente por dentro. Como código bem escrito. Como eu.
Jardim BotânicoCuritiba
Ópera de ArameCuritiba
Farol do SaberCuritiba
Fotos de Curitiba via Wikimedia Commons — Jardim Botânico © Rodrigo.Argenton (CC BY-SA 4.0) · Ópera de Arame © Vanderlei Bissiato (CC BY-SA 3.0) · Farol do Saber © Deyvid e Eloy Setti (CC BY-SA 3.0). Cards de tech: ilustrações (troque pelas suas fotos).
Inimigos do Royal Flush
o combustível da garoa
por prazer, não só por ofício
a cidade em prosa
parques, praças e esquinas
trilha de quem programa